sexta-feira, 25 de março de 2011

Falha mais uma tentativa de comprovar a eficiência da acupuntura

Carlos Orsi
24/03/2011

Acho que é do Millôr Fernandes a observação de que qualquer afirmação, independentemente da validade, sempre tem uma chance mais do que razoável de ser levada a sério quando sai da boca de um velhinho chinês. Não sei se o Millôr tinha a chamada “medicina tradicional chinesa” em mente quando formulou o pensamento, mas alguns resultados recentes de estudos sobre acupuntura me trouxeram à lembrança a pérola do Mestre do Méier.

O trabalho mais recente, divulgado nesta quinta-feira, foi patrocinado pelo Instituto Karolisnka — onde ficam os caras que decidem o Nobel de Medicina — concluiu que acupuntura placebo funciona tão bem quanto acupuntura real no tratamento da náusea sentida por pacientes de câncer, submetidos a radioterapia.

O trabalho envolveu 277 pacientes. Desses, 215 foram distribuídos, aleatoriamente, entre um grupo que passou por acupuntura e outro que apenas teve agulhas falsas — cujas pontas se retraem, sem perfurar a pele — pressionadas contra o corpo.

Outros 62 pacientes receberam apenas os medicamentos normais contra náusea, sem acupuntura nenhuma.

(É importante notar que a acupuntura real foi efetivamente aplicada nos pontos do corpo que, segundo a tradição, ajudam a evitar naúsea; já a acupuntura placebo foi aplicada em pontos fajutos.)

A taxa de pacientes com náusea, nos grupos acupunturados — real e placebo — ficou em 37% e 38%, respectivamente, contra 63% dos que passaram pelo tratamento padrão. Os pesquisadores reconhecem que o fato de o terceiro grupo — os dos pacientes sem acupuntura nenhuma, seja real ou falsa — não ter sido formado de maneira aleatória pode ter comprometido essa parte da conclusão.

De qualquer forma, o principal fator envolvido parece ter sido expectativa: 81% dos pacientes que achavam que iam passar mal tiveram a profecia confirmada, contra 50% dos que estavam mais otimistas. Este trabalho saiu na PLoSONE.

O outro estudo é de 2008, e indicou — depois de um levantamento duplo-cego de 370 pacientes — que acupuntura falsa é bem melhor para ajudar mulheres a engravidar que a acupuntura real (taxas de sucesso de 55,1% e 43%, respectivamente, dados publicados no periódico Human Reproduction).

A conclusão proposta pelos autores (que desta vez eram chineses, não suecos), foi a de que a acupuntura placebo talvez não seja inerte — e não, como a lógica poderia sugerir, que ambas as modalidades não passam de placebos e que o poder da expectativa é o verdadeiro fator envolvido nos resultados atribuídos às duas intervenções.
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Nota do Editor: Este último parágrafo ilustra bem como fazer para adequar os resultados de um estudo às próprias crenças pessoais.

Conselho acaba com proselitismo religioso na TV Brasil

25/03/2011

O Conselho Curador da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) decidiu hoje (25/03) acabar com os programas de proselitismo religioso da TV Brasil e das demais oito emissoras de TV e rádio da rede estatal.

A TV Brasil deixará de exibir os dois programas católicos e um evangélico no prazo de seis meses. Eles serão substituídos por  programas culturais sobre as diversas religiões praticadas no Brasil. O formato dessas apresentações ainda não está definido.

O Conselho aprovou a decisão com o argumento de que a programação das emissoras da rede tem de estar alinhada com o caráter laico e republicano do Estado brasileiro.

A proposta de acabar com o proselitismo religioso foi apresentada no ano passado pelo conselheiro Daniel Aarão Reis Filho. Na época, a expectativa era de que houvesse resistência da parte dos religiosos sobre a perda deles dos horários na grade das emissoras estatais.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Outdoors ateus o povo não tolera, mas este




Olhem o outdoor acima. Pra quem não sabe inglês, a frase diz “Se Deus não importa pra ele, você se importa?”

Esse outdoor é real e foi feito pela Answers in Genesis, a entidade criacionista que está por trás do Creation Science Museum, do Ken Ham. Ele está posicionado na estrada I-35, entre Fort Worth e Austin, no Texas. 

Nenhum religioso reclamou do claro tom de intolerância e ódio que a propaganda exala.

domingo, 7 de novembro de 2010

Vereadores rejeitam lei que criminalizaria sacrifício de animais em rituais

A Câmara Municipal de Piracicaba (SP) acatou o veto do prefeito Barjas Negri sobre o Projeto de Lei 202/2010, que proibia sacrifício de animais em rituais religiosos na cidade. Depois de quatro horas de discussão, religiosos do Candomblé e da Umbanda venceram a queda de braço com os defensores de animais. O Prefeito Barjas Negri deve apresentar outro projeto, sem os erros e inconstitucionalidades do anterior.



O projeto de autoria do vereador  Laércio Trevisan Jr (PR) colocou frente a frente evangélicos e defensores dos animais em confronto com defensores de  candomblecistas, defensores de libedade de religião e defensores das tradições afro-brasileiras.

A tese dos defensores dos animais apoiando o vereador Trevisan foi tentar desvencilhar o aspecto religioso sobre o PL 202/10. “Não estamos aqui discutindo a questão religiosa, o que quero apresentar para os vereadores é a defesa da vida”, apontou o advogado Rogério Gonçalves, convidado pela ONG Vira Lata Vira Vida para defender o posicionamento dos defensores.

Do outro lado, candomblecistas e defensores das tradições afro-brasileiras alegavam que o projeto de lei oficializava a opressão contra as religiões afro-brasileiras.

Somando tudo, podemos dizer o seguinte:

Preconceito contra as religiões sincréticas afro-brasileiras é coisa antiga. Em Brasília, vandalizaram, em 2008 uma bela coleção de estátuas de divindades do candomblé numa praça. E em 2009, a Carta Capital publicou uma reportagem sobre uma ofensiva evangélica em Salvador em que até vendedoras do "bolinho de Jesus" estavam tentando tirar clientela das baianas que vendem acarajé.

Há anos o PR tornou-se o braço político de lideranças religiosas evangélicas. Entre essas, algumas são intolerantes e retrógradas (mas não mais do que os carismáticos ou a Opus Dei, que fique claro; fundamentalismos se parecem, não importa a religião de base).

O mais provável mesmo é que o vereador esteja tentando subverter o estado laico surrepticiamente, e o modo mais fácil foi se esconder atrás de uma pobre galinha prestes a ser degolada.




terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mais uma vez Israel

Israel confirma expulsão de 400 crianças não judias e ameaça usar força para cumprir a ordem

Opera Mundi
07/09/2010 - 16:27
O governo de Israel determinou a expulsão de 400 crianças filhas de imigrantes que estão no país, segundo reportagem do canal de TV TeleSur divulgada nesta terça-feira (7/9). A razão exposta por Israel foi que "essas crianças não são judias". O governo ameaçou usar a força para cumprir a ordem, se necessário.

As expulsões devem começar a ser realizadas assim que acabarem as festas de celebração do ano novo judaico, que começam na quarta-feira (8/9).
O ministro do Interior israelense, Eli Yishai, que também é líder do partido religioso Shas, foi o principal defensor da medida. Ele considera que a presença das crianças "ameaça a totalidade da empreitada sionista".

"É preciso dizer adeus a eles, acabou o passeio. Todos têm que voltar para seus países", declarou Yishai, ao mesmo tempo em que acusou os pais de usá-los como "escudos humanos".

A disposição foi aprovada em agosto pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em princípio, afetaria 1,2 mil filhos de trabalhadores estrangeiros não-judeus, procedentes na maioria das Filipinas, Tailândia e de países de maioria árabe da África, como o Sudão e o Egito.

Uso da força

Depois de varias revisões e apelações, estableceu-se que 400 crianças seriam enviadas de volta para os respectivos países de origem, sem importar que se tenham nascido em Israel. Os 800 menores restantes poderão ficar desde que comprovem que cumprem alguns requisitos exigidos pelo governo.

Entretanto, o Ministério do Interior determinou um prazo de 30 dias para "dar tempo" às crianças para que saiam do país e divulgou que, após esse período, recorrerá a "métodos mais drásticos" para executar a expulsão.

Um deles, afirma a TeleSur, poderia ser a Unidade Oz, braço armado da polícia de imigração de Israel, que tem ordens de usar a força para tirá-los do país.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Livros de ensino religioso em escolas públicas estimulam homofobia e intolerância, diz estudo

UOL Educação 
23/06/2010

Uma pesquisa da UnB (Universidade de Brasília) concluiu que o preconceito e a intolerância religiosa fazem parte da lição de casa de milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Produzido com base na análise dos 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país, o estudo foi apresentado no livro “Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil”, lançado na última terça-feira (22) em Brasília. 

“O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações”, afirma a antropóloga e professora do departamento de serviço social, Débora Diniz, uma das autoras do trabalho.

A pesquisa analisou os títulos de algumas das maiores editoras do país. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso -limitada a uma referência anônima e sem biografia-, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo. Ítalo Calvino nem mesmo é citado.

O estudo aponta que a discriminação também faz parte da tarefa. Principalmente contra homossexuais. “Desvio moral”, “doença física ou psicológica”, “conflitos profundos” e “o homossexualismo não se revela natural” são algumas das expressões usadas para se referir aos homens e mulheres que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: “Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?”.


Nazismo


A pesquisadora afirma que o estímulo ao preconceito chega ao ponto de associar uma pessoa sem religião ao nazismo - ideologia alemã que tinha como preceitos o racismo e o anti-semitismo, na primeira metade do século 20. “É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores”, observa Débora. “Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo”, completa a especialista, uma das três autoras da pesquisa.


Os números contrastam com a previsão da Lei de Diretrizes e Base da Educação de garantir a justiça religiosa e a liberdade de crença. A lei 9475, em vigor desde 1997, regulamenta o ensino de religião nas escolas brasileiras. “Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã”, afirma Débora. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. “Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasileiras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos”, comenta a especialista.

sábado, 13 de março de 2010

Padre de 82 anos filmado mantendo relações sexuais com ex-coroinha



A Igreja Católica, a principal organização dedicada a encobrir casos de abuso sexual, vai ter um momento difícil para explicar esta: O Monsenhor Luiz Marques Barbosa, 82, de Arapiraca, Alagoas, foi pego em vídeo  praticando sexo oral com um ex-coroinha de 19 anos de idade.

Filmado em janeiro de 2009 por um homem de 21 anos que alega também ser vítima de abusos por Barbosa desde os 12 anos de idade, o vídeo foi ao ar pelo programa Conexão Repórter, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT)  no último dia 11.

Antes de levantar as acusações de abuso sexual, a reportagem perguntou se o padre tivesse pecado. "Quem nunca cometeu um pecado?" Barbosa responde.

O padre é, então, perguntou se a região tem problemas com pedofilia. "Eu acho que é mais (um problema) da homossexualidade a pedofilia", diz Barbosa.

Perguntado diretamente se ele nunca abusou meninos, Barbosa diz que ele só poderia responder a essa pergunta "em confissão".

O Monsenhor Raimundo Gomes, 52, e o padre Edilson Duarte, 43, também estão envolvidos nas acusações, que o Vaticano diz estar ciente. Não que esteja facilitando o acesso aos padres. Todos os três não foram localizado para entrevistas.

Enquanto isso, a primeira linha de defesa do Vaticano é ressaltar que o ex-coroinha tem agora 19 anos e, embora a homossexualidade do Monsenhor Barbosa seja repugnante, não é, pelo o que foi exposto no vídeo, criminosa.

É o Diabo maldito, para ela novamente.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Religião e Racismo (ou Religião é Racismo)

"Ama o teu Semelhante" 

Essa máxima, presente em quase todas as religiões, sempre me intrigou. Amar o semelhante significa que não devemos amar o diferente?

A religião sempre se apresentou como amor ao próximo, mas na verdade sempre pregou o ódio ao distante. Uma leitura rápida dos livros sagrados, sejam eles de que religião forem, mostra que essa interpretação está correta. Algumas vezes velada, outra disfarçada mas sempre correta.

Para ficar apenas com a bíblia, o velho testamento desfila centenas de passagens de intolerância contra qualquer um que não professasse a fé do 'povo escolhido' por mais inofensivo que fosse.Casamentos proibidos (coitadas das cananeias), matanças de crianças, escravidão, pode escolher.

E para desespero dos relativistas, que convenientemente segregam o novo testamento, apoiando-se na palavra de Jesus supostamente cheia de amor, vale lembrar que o gajo também não se afinava muito com a diferença de opinião. Disse que judeus não convertidos seriam lançados nas trevas exteriores e coroou como a pérola: "Quem não é comigo é contra mim."

Quem tiver tempo, paciência ou curiosidade que continue a leitura pelo corão, torá, vedas e por aí afora...

Para os que acreditam (e pregam) que isso é coisa de antigamente, esta semana tivemos mais uma demonstração da mais pura intolerância, não religiosa, mas racial advinda da religião.

Judeus ortodoxos do grupo Lehava pediram à modelo israelense Bar Refaeli para que não se case com o ator americano Leonardo di Caprio, porque este não é de origem judaica e a união dos dois contribuiria para a extinção dos hebreus de 'puro sangue'.


Segundo o jornal Ha'aretz, recentemente a modelo recebeu uma carta do colono ultraortodoxo Baruch Marcel, que, em nome do grupo Lehava, pede que ela não se case com o protagonista de Titanic, para "não danar as gerações futuras" ao misturar seu sangue com o de um "gentio" (não judeu). 

Segundo o jornal Ha'aretz, recentemente a modelo recebeu uma carta do colono ultraortodoxo Baruch Marcel, que, em nome do grupo Lehava, pede que ela não se case com o protagonista de Titanic, para "não danar as gerações futuras" ao misturar seu sangue com o de um "gentio" (não judeu).

"Você não nasceu judia por acaso", diz Marcel na carta, na qual acrescenta: "Seu avô e sua avó não sonharam que um descendente tiraria futuras gerações da família do povo judeu".


O autor da carta assegura não ter nada contra Di Caprio nem duvida que ele seja "um ator com talento". Mas avisa que "a assimilação foi sempre um dos inimigos do povo hebreu" e faz um apelo para que a modelo pense com a razão e "olhe para frente e para trás, e não apenas para o presente".


Segundo o Ha'aretz, o Lehava é uma organização que se dedica a "oferecer assistência" a mulheres judias que mantêm relações" com "não judeus" para evitar que casamentos sejam consumados, especialmente se aqueles forem árabes.

O que mais me parece absurdo é o uso da expressão 'puro sangue" digna do autor de Mein Kempf que tanto mal causou justamente aos judeus. Será que os judeus esqueceram o mal que a segregação racial provocou a sua gente?

Ou será que aprenderam com ela?