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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Preconceito social faz famílias afegãs criarem meninas como meninos

AFEGANISTÃO - Quando Azita Rafhat, uma ex-parlamentar afegã, prepara as suas filhas para a escola de manhã, ela veste uma delas de forma diferente.

Três meninas usam roupas brancas e cobrem seus rostos com véus. Mas Mehrnoush, a quarta menina, veste terno e gravata. Na rua, Mehrnoush não é mais uma menina, e sim um rapaz chamado Mehran. 

Azita Rafhat não teve filhos homens, e para evitar as provocações que famílias assim sofrem no Afeganistão, ela tomou a decisão radical de mudar a criação de Mehrnoush. 

Esse tipo de atitude não é incomum no país..Existe até mesmo um termo, 'Bacha Posh', para meninas que são vestidas como garotos

"Mesmo que você tenha uma boa posição no Afeganistão e está bem de vida, as pessoas veem você de forma diferente (se não tiver um filho homem). Elas dizem que a sua vida só é completa se você tem um filho", diz Azita. 

Sempre houve preferência por meninos no Afeganistão, por motivos tanto econômicos quanto sociais. 

O seu marido, Ezatullah, acredita que ter um filho é um sinal de prestígio e honra.

"As pessoas que nos visitavam sempre diziam: 'Oh, lamentamos que vocês não têm um filho.' Então imaginamos que seria uma boa ideia vestir nossa filha assim, já que ela também queria."

Economia
Muitas meninas vestidas de rapazes andam pelas ruas no Afeganistão. Algumas famílias optam por esse caminho para permitir que elas consigam empregos em lugares públicos, como em mercados, já que mulheres não podem trabalhar na rua. 

Em alguns mercados de Cabul, um grupo de meninas, com idade entre cinco e 12 anos, se apresenta como meninos e vende água e chiclete. No entanto, nenhuma quis dar entrevista sobre o assunto. 

A tradição não dura por toda a vida. Aos 17 ou 18 anos, as jovens voltam a assumir uma identidade feminina. Mas essa mudança não é nada simples. 

Elaha mora em Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão. Ela viveu como menino por 20 anos, porque sua família não tinha filhos homens. Apenas há dois anos, quando entrou na universidade, é que ela passou a se vestir como mulher. 

No entanto, ela ainda não se sente totalmente feminina. Alguns de seus hábitos não são típicos de garotas, e ela diz que não pretende se casar. 

"Quando eu era criança, meus pais me vestiam de menino porque eu não tinha um irmão. Até recentemente, vivendo como menino, eu saia para brincar com outros garotos e tinha mais liberdade." 

Contra sua própria vontade, ela voltou a viver como mulher, e diz que só aceitou voltar porque se trata de uma tradição social. No entanto, ela se diz revoltada com a forma como as mulheres são tratadas pelos seus maridos no Afeganistão. 

"Às vezes, eu tenho vontade de me casar e bater no meu marido, só para compensar a forma como as outras mulheres são tratadas em casa." 

História comum
Atiqullah Ansari, diretor da famosa mesquita de Mazar-e Sharif, diz que a tradição é parte de um apelo que se faz a Deus. 

As famílias que não têm filhos homens vestem as meninas assim como forma de pedir a Deus por um bebê homem. 

Mães que não têm filhos homens visitam o templo de Hazrat-e Ali para fazer o pedido a Deus.
Ansari conta que de acordo com o Islã, as meninas que vivem como garotos precisam cobrir o rosto quando amadurecem. 

No Afeganistão, histórias assim têm se tornado cada vez mais comuns. É comum pessoas conhecerem parentes ou vizinhos que já passaram por isso. 

Fariba Majid, que dirige o Departamento de Direitos da Mulher da Província de Balkh, diz que ela própria já passou por isso, e quando era criança era chamada pelo nome masculino de Wahid. 

"Eu era a terceira filha na minha família, e quando nasci, meus pais decidiram me vestir de menino", afirma.
"Eu podia trabalhar com meu pai em sua loja ou até mesmo ir para Cabul para comprar coisas para a loja." 

Ela disse que a experiência a ajudou a ganhar confiança e permitiu que ela chegasse onde está hoje. 

Segredo
A própria ex-parlamentar Azita Rafhat, mãe de Mehrnoush, também já passou por isso. 

"Deixe-me contar um segredo", ela afirma. "Quando eu era criança, eu vivi como garoto e trabalhava com meu pai. Eu tive a experiência tanto do mundo masculino quanto feminino, e isso me ajudou a seguir uma carreira com ambição." 

A tradição existe há séculos no Afeganistão. De acordo com o sociólogo Daud Rawish, de Cabul, isso pode ter começado durante períodos de guerra no passado, quando mulheres eram vestidas de homens para poderem ajudar a combater os inimigos. 

Mas nem todos toleram esse tipo de tradição. O diretor da Comissão de Direitos Humanos da Província de Balkh, Qazi Sayed Mohammad Sami, disse que a prática é uma violação de direitos fundamentais. 

"Nós não podemos mudar o gênero de alguém só por um tempo. Isso é contra a humanidade", afirma ele.
A tradição teve efeitos devastadores em algumas meninas, que sentem um conflito de identidades e acreditam ter perdido parte fundamental de suas infâncias.

Para outras, a experiência foi positiva, já que elas tiveram liberdades que nunca exerceriam, caso tivessem sido criadas apenas como garotas.

sábado, 5 de novembro de 2011

Candomblé é proibido em Piracicaba


A Câmara Municipal de Piracicaba/SP passou por cima da Constituição que garante aos brasileiros liberdade religiosa e aprovou por unanimidade uma lei proibindo a prática do candomblé, religião essa que é brasileira por criação. Lá em Piracicaba os seguidores desta religião terão que ir a outro município para professar sua fé ou pagarão multa no valor de R$ 2.000,00 e R$ 4.000,00 se houver reincidência. Vereadores de vários partidos se sentiram a vontade para aprovar esta lei sob o comando do prefeito Barjas Negri.

Comentários em Piracicaba, informam que o PL 202/2010 de autoria do vereador Laércio Trevisan (PR) é parte de um MOVIMENTO chamado “ALIANÇA PARA A SUPREMACIA CRISTÔ, que tem por objetivo levar este projeto a outras cidades do Estado de São Paulo, depois, independente de quem seja eleito, encaminhar para a Câmara dos Deputados, através de deputados federais dos partidos envolvidos. Estes deputados, no momento, são mantidos no anonimato.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Padre se recusa a celebrar casamento de noiva sem calcinha

O padre Jonas Mourinho, 68 anos, responsável pela Paróquia Sagrada Família, no bairro do Vergel, na periferia de Maceió, Alagoas, surpreendeu os 230 convidados de uma celebração de casamento religioso ao cancelar o evento devido à ausência de vestimenta íntima da noiva.Padre se recusa a celebrar casamento de noiva sem calcinha 

O padre já não havia gostado de notar o imenso decote nas costas do vestido de noiva de uma professora, de 25 anos. Imediatamente após sua chegada no altar, quando se colocou de frente para o noivo o padre percebeu que o decote da moça permitia ver o derrière absolutamente desnudo.

Neste instante o padre solicitou que a noiva acompanhasse uma ministra da eucaristia até a sala de sacristia para averiguação. A ministra confirmou a suspeita do padre e o informou sobre o veredito. Depois de comunicar aos pais dos nubentes a decisão, o padre Jonas foi até ao altar avisar aos convidados que o casamento não seria realizado, pois a noiva "não estava respeitando o altar sagrado".

O padre afirmou que "é uma profanação a pessoa subir ao altar sem vestimentas íntimas". Ele ainda disse que a ministra da eucaristia notou que "a noiva estava totalmente depilada na região pubiana, o que para o pároco é um flerte com a pedofilia".

Segundo o padre Jonas "os pêlos pubianos marcam a transição entre a infância e a vida adulta, portanto retirá-los seria realizar apelo pedófilo para a prática sexual". A noiva confirmou que estava sem calcinha e disse que se o padre notou este detalhe é porque "ao invés de celebrar ele estava pensando em taradice comigo".

Depois do episódio, o padre Jonas deixou afixado na apostila do curso de noivas dois avisos: "noiva sem calcinha é satanás na cabecinha" e "vagina careca é o diabo na boneca". Assim ele espera não mais viver esse tipo de constrangimento no altar. 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mais uma vez Israel

Israel confirma expulsão de 400 crianças não judias e ameaça usar força para cumprir a ordem

Opera Mundi
07/09/2010 - 16:27
O governo de Israel determinou a expulsão de 400 crianças filhas de imigrantes que estão no país, segundo reportagem do canal de TV TeleSur divulgada nesta terça-feira (7/9). A razão exposta por Israel foi que "essas crianças não são judias". O governo ameaçou usar a força para cumprir a ordem, se necessário.

As expulsões devem começar a ser realizadas assim que acabarem as festas de celebração do ano novo judaico, que começam na quarta-feira (8/9).
O ministro do Interior israelense, Eli Yishai, que também é líder do partido religioso Shas, foi o principal defensor da medida. Ele considera que a presença das crianças "ameaça a totalidade da empreitada sionista".

"É preciso dizer adeus a eles, acabou o passeio. Todos têm que voltar para seus países", declarou Yishai, ao mesmo tempo em que acusou os pais de usá-los como "escudos humanos".

A disposição foi aprovada em agosto pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em princípio, afetaria 1,2 mil filhos de trabalhadores estrangeiros não-judeus, procedentes na maioria das Filipinas, Tailândia e de países de maioria árabe da África, como o Sudão e o Egito.

Uso da força

Depois de varias revisões e apelações, estableceu-se que 400 crianças seriam enviadas de volta para os respectivos países de origem, sem importar que se tenham nascido em Israel. Os 800 menores restantes poderão ficar desde que comprovem que cumprem alguns requisitos exigidos pelo governo.

Entretanto, o Ministério do Interior determinou um prazo de 30 dias para "dar tempo" às crianças para que saiam do país e divulgou que, após esse período, recorrerá a "métodos mais drásticos" para executar a expulsão.

Um deles, afirma a TeleSur, poderia ser a Unidade Oz, braço armado da polícia de imigração de Israel, que tem ordens de usar a força para tirá-los do país.

terça-feira, 27 de julho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Livros de ensino religioso em escolas públicas estimulam homofobia e intolerância, diz estudo

UOL Educação 
23/06/2010

Uma pesquisa da UnB (Universidade de Brasília) concluiu que o preconceito e a intolerância religiosa fazem parte da lição de casa de milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Produzido com base na análise dos 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país, o estudo foi apresentado no livro “Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil”, lançado na última terça-feira (22) em Brasília. 

“O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações”, afirma a antropóloga e professora do departamento de serviço social, Débora Diniz, uma das autoras do trabalho.

A pesquisa analisou os títulos de algumas das maiores editoras do país. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso -limitada a uma referência anônima e sem biografia-, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo. Ítalo Calvino nem mesmo é citado.

O estudo aponta que a discriminação também faz parte da tarefa. Principalmente contra homossexuais. “Desvio moral”, “doença física ou psicológica”, “conflitos profundos” e “o homossexualismo não se revela natural” são algumas das expressões usadas para se referir aos homens e mulheres que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: “Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?”.


Nazismo


A pesquisadora afirma que o estímulo ao preconceito chega ao ponto de associar uma pessoa sem religião ao nazismo - ideologia alemã que tinha como preceitos o racismo e o anti-semitismo, na primeira metade do século 20. “É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores”, observa Débora. “Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo”, completa a especialista, uma das três autoras da pesquisa.


Os números contrastam com a previsão da Lei de Diretrizes e Base da Educação de garantir a justiça religiosa e a liberdade de crença. A lei 9475, em vigor desde 1997, regulamenta o ensino de religião nas escolas brasileiras. “Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã”, afirma Débora. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. “Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasileiras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos”, comenta a especialista.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Religião e Racismo (ou Religião é Racismo)

"Ama o teu Semelhante" 

Essa máxima, presente em quase todas as religiões, sempre me intrigou. Amar o semelhante significa que não devemos amar o diferente?

A religião sempre se apresentou como amor ao próximo, mas na verdade sempre pregou o ódio ao distante. Uma leitura rápida dos livros sagrados, sejam eles de que religião forem, mostra que essa interpretação está correta. Algumas vezes velada, outra disfarçada mas sempre correta.

Para ficar apenas com a bíblia, o velho testamento desfila centenas de passagens de intolerância contra qualquer um que não professasse a fé do 'povo escolhido' por mais inofensivo que fosse.Casamentos proibidos (coitadas das cananeias), matanças de crianças, escravidão, pode escolher.

E para desespero dos relativistas, que convenientemente segregam o novo testamento, apoiando-se na palavra de Jesus supostamente cheia de amor, vale lembrar que o gajo também não se afinava muito com a diferença de opinião. Disse que judeus não convertidos seriam lançados nas trevas exteriores e coroou como a pérola: "Quem não é comigo é contra mim."

Quem tiver tempo, paciência ou curiosidade que continue a leitura pelo corão, torá, vedas e por aí afora...

Para os que acreditam (e pregam) que isso é coisa de antigamente, esta semana tivemos mais uma demonstração da mais pura intolerância, não religiosa, mas racial advinda da religião.

Judeus ortodoxos do grupo Lehava pediram à modelo israelense Bar Refaeli para que não se case com o ator americano Leonardo di Caprio, porque este não é de origem judaica e a união dos dois contribuiria para a extinção dos hebreus de 'puro sangue'.


Segundo o jornal Ha'aretz, recentemente a modelo recebeu uma carta do colono ultraortodoxo Baruch Marcel, que, em nome do grupo Lehava, pede que ela não se case com o protagonista de Titanic, para "não danar as gerações futuras" ao misturar seu sangue com o de um "gentio" (não judeu). 

Segundo o jornal Ha'aretz, recentemente a modelo recebeu uma carta do colono ultraortodoxo Baruch Marcel, que, em nome do grupo Lehava, pede que ela não se case com o protagonista de Titanic, para "não danar as gerações futuras" ao misturar seu sangue com o de um "gentio" (não judeu).

"Você não nasceu judia por acaso", diz Marcel na carta, na qual acrescenta: "Seu avô e sua avó não sonharam que um descendente tiraria futuras gerações da família do povo judeu".


O autor da carta assegura não ter nada contra Di Caprio nem duvida que ele seja "um ator com talento". Mas avisa que "a assimilação foi sempre um dos inimigos do povo hebreu" e faz um apelo para que a modelo pense com a razão e "olhe para frente e para trás, e não apenas para o presente".


Segundo o Ha'aretz, o Lehava é uma organização que se dedica a "oferecer assistência" a mulheres judias que mantêm relações" com "não judeus" para evitar que casamentos sejam consumados, especialmente se aqueles forem árabes.

O que mais me parece absurdo é o uso da expressão 'puro sangue" digna do autor de Mein Kempf que tanto mal causou justamente aos judeus. Será que os judeus esqueceram o mal que a segregação racial provocou a sua gente?

Ou será que aprenderam com ela?
 

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

16 erros comuns sobre ateus

O texto a seguir foi traduzido do Way of the Mind.
  1. Ateus odeiam cristãos e o cristianismo: não, não odiamos. Ateus em geral odeiam as atrocidades cometidas em nome da religião, a desonestidade da maioria delas e a forma como encorajam as pessoas a não pensar ou questionar, e a não acreditar nem usar suas cabeças. Mas daí a odiar cristãos há uma longa distância.
  2. Muitos ateus foram cristãos e deixaram de acreditar por causa de alguma experiência ruim com outros cristãos: errado. Para a maioria não foi necessária uma má experiência. Apenas começamos a questionar, a imaginar o que aconteceria se aplicássemos os padrões da lógica, razão e provas à religião da mesma forma que aplicamos em qualquer coisa nas nossas vidas.
  3. Ateus não tem nenhum senso de moral, já que a moral vem de deus: o velho argumento “sem medo do inferno, não há nada que impeça as pessoas de se transformarem em monstros sangüinários”. Pode ser uma surpresa para a maioria dos cristãos, mas existem razões para ser “bom” além do medo da punição – o que não é bem uma razão e mostra apenas como os cristãos estão sob uma luz ruim. Razões como empatia com outros humanos, sentimentos genuínos dedicados a outros e, o mais importante, princípios racionais. Ser bem comportado apenas porque papai vai te espancar não faz de você uma criança boa.
  4. Os ateus são um grupo unificado, como uma igreja: somos? Eu diria que os ateus são mais diversos livres e independentes que os cristãos, porque somos menos parecidos com ovelhas e não aceitamos as coisas baseados na fé ou vindas de autoridades.
  5. Os ateus sabem, lá no fundo, que existe um Deus, já que isso é perfeitamente óbvio; eles são apenas muito orgulhosos e arrogantes para admitir a existência de alguma coisa maior que eles mesmos: não exatamente. A existência de Deus é óbvia apenas se você sofreu lavagem cerebral (por outros e por sua própria irracionalidade). Nós estamos realmente convencidos de que não existe um Deus.
  6. Ateus não sabem nada sobre o Cristianismo: de novo, não. Alguns ateus provavelmente sabem mais sobre o assunto que outros. No entanto, a religião é tão ubíqua que, goste ou não, todos nós temos graus diversos de contato com ela, com suas crenças. Além disso, muitos ateus são naturalmente curiosos. A maioria dos ateus já leu os livros religiosos, alguns mais de uma vez. Agora, caro crente, pergunte a si mesmo quantos livros, revistas ou ensaios ateus você já leu. Oh, esqueci, tudo é obra de Satanás.
  7. A vida dos ateus é fria e vazia, já que eles não podem sentir a alegria e o amor que vem apenas de Deus: eu jamais me chamaria de frio ou vazio. Tenho as alegrias da amizade, amor, família e de fazer as coisas que amo. E sou auto-suficiente, diferente de qualquer um que diga “não sei como se pode viver sem Deus” – como muitos crentes dizem.
  8. Os ateus são depressivos e niilistas, já que eles acreditam que não há nada depois da morte e, por isso, não há motivo para nada: muito pelo contrário. Nós, diferentemente de vocês, sabemos o quão preciosa é a vida, porque sabemos que é a única. E, isso pode ser um choque para vocês, podemos amar nossas vidas, sentir alegria de estar vivos, porque não acreditamos que este é “um mundo do diabo”, ou que “tudo é um teste antes da coisa real”. A vida é preciosa e é nossa, não de um deus qualquer.
  9. Os ateus são frios e pouco carinhosos: não, não somos. Ter ilusões não faz de ninguém mais carinhoso. E, de novo, tratamos a vida como preciosa e fazemos o possível para melhorá-la, tanto as nossas quanto as de quem amamos. Por outro lado, muitos cristãos acreditam que a vida é sofrimento e que não há nada que se possa fazer a respeito.
  10. Ateus são arrogantes: não. Apenas ousamos usar nossas mentes no lugar de perguntar “quem somos nós para saber?”. Não somos arrogantes porque não nos considerarmos os escolhidos. Não somos arrogantes porque não ditamos regras de conduta. Não somos arrogantes porque não segregamos quem pensa diferente de nós. Não, não somos arrogantes.
  11. Os ateus querem escapar da adoração religiosa: errado. Apenas não queremos sofrer com ela. Se você deseja acreditar em Deus, Jesus, Papai Noel ou na Fada do Dente, acredite. Quer ensinar nossas crianças a fazer o mesmo? Sinto pena delas, mas levará muitos anos até que as pessoas percebam que, em matéria de razão, as crianças são tão incapacitadas quanto são as asas de um pequeno pássaro. Quer dar seu dinheiro para um cara com uma BMW e um corte de cabelo horrível? Tudo bem. Mas não tente me salvar, não me incomode no meio da rua ou em casa, não consiga políticos que formulem leis para dar mais poder a vocês, não tentem ensinar religião nas aulas de ciência ao rebatizá-la e classificá-la como “ciência” e não usem o dinheiro dos meus impostos para escrever suas idiotices em locais públicos. Em resumo, façam como quiser, desde que fique entre vocês – da mesma forma que não saio por aí tentando “desconverter” ninguém.
  12. Os ateus são incapazes de sentir prazer nas coisas simples, como um lindo pôr-do-sol, já que eles veem tudo sob a ótica da frieza da ciência, sem pensar que tudo é milagre: desnudando o arco-íris – a ideia de que beleza e poesia existem apenas se sabemos pouco ou nada de como as coisas funcionam. Mas eu pergunto: o fato de saber sobre astronomia, física e luz diminui a beleza do pôr-do-sol? Ele é bonito apenas porque parece “mágico” ou “um ato de Deus” para vocês?
  13. Os ateus vivem em constante medo da morte: poucas pessoas realmente querem morrer, apenas os ao mesmo tempo deprimidos e suicidas e os cristãos que acreditam que o mundo é um trabalho do demônio e rezam “por favor, Senhor, leve-me”. O medo da morte é perfeitamente natural. E também acreditamos que esta é “a vida”, o que nos faz tratá-la como uma preciosidade. Além disso, não acreditamos que depois de mortos podemos ir para um lugar em que queimaremos e seremos torturados pela eternidade.
  14. A maioria dos criminosos é de ateus (ou, a percentagem de ateus dentre os criminosos é mais alta que na população em geral): por incrível que pareça, a verdade é exatamente o oposto. Ateus são minoria, mesmo em número relativos comparados à sociedade, em qualquer sistema prisional.
  15. Os ateus são burros e de “cabeça fechada”: pergunte a qualquer crente o que o convenceria do erro e o persuadiria a deixar a religião e se tornar um ateu. Se você obtiver uma resposta, será quase sempre “nada, eu tenho fé em Deus”. Embora essas pessoas possam existir, ainda não encontrei um teísta que pudesse reconhecer a possibilidade de que sua crença esteja errada. Muitos teístas, por admissão própria, estruturam sua crença de uma forma que nenhuma evidência possa dizer o contrário. Os ateus, por outro lado, são fáceis de convencer – só o que é preciso é que Deus apareça de forma incontestável, digamos, por exemplo, fazendo qualquer coisa que ele tenha feito no Antigo Testamento.
  16. Os ateus são maus pais: de novo, existem bons e maus pais ateus e bons e maus pais crentes. Os pais ateus, no entanto, jamais fariam o que Abraão quase fez com o filho Isaque (e os cristãos louvam seu ato), porque, para a maioria dos ateus, a vida é nossa.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O perdão nas religiões

Dar a outra face é a exceção pregada pelo cristianismo. Desde a mais tenra antiguidade, as religiões não apenas amparam como incentivam a vingança desproporcional ao agravo. O Velho Testamento é repleto de passagens do tipo "olho por olho".  Mesmo antes de Moisés, pode-se ler: "Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem,  e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem.(Gênesis 9:5). A vingança é uma característica marcante, a forma ideal de resolver os problemas pessoais.

Nenhuma passagem é tão constrangedora quanto aquela em que o profeta Eliseu é chamado de "careca" por um grupo de crianças e, em resposta, manda dois ursos sairem da floresta e despedaçarem 42 criancinhas (2 Reis 2:23-24). Deve ser o único caso registrado em que uma peruca teria evitado uma carnificina.  

Há algumas boas intenções. Ao mesmo tempo que tentou limitar o dano causado, para evitar que uma série de ações violentas escalassem rapidamente e saíssem do controle, a famosa lei de talião, que merece vários destaques na Bíblia (Êxodo 21:22-25, Levitico 24:19–21 e Deuteronômio 19:21), acabou por institucionalizar a vingança como ação justificável até nossos dias. 

Foi limite o que faltou a Teodora, esposa do imperador Justiniano, que convidou a população para um espetáculo no estádio onde mandou degolar 30 mil pessoas por insurreição. Mesmo assim, o desmedido massacre não impediu que ela fosse canonizada pela Igreja Católica Ortodoxa. 

Em tese toda religião prega o perdão. Em todas elas o perdão aparece como uma proposta acima das propostas, e ali fica. No transcorrer dos textos, das normas, das regras ele fica esquecido, trocado pelo mais vil dos sentimentos. Afinal, o ódio conquista mais que a paixão.

Judeus que matam islâmicos que matam judeus que matam islâmicos têm no Yom Kippur o mais importante de seus feriados. O chamado Dia do Perdão é conhecido como o "sábado dos sábados".  Vão todos às sinagogas, leem o livro de Jonas, tocam o shofar para despertar os valores morais e espirituais. É o dia de judeus perdoarem seus inimigos, certo? Errado! De acordo com o Talmud, a celebração do Yom Kippur pode purificar somente os pecados entre o homem e deus. Os outros que se danem. Patético...

Como instituição, a religião é má conselheira. As guerras religiosas são sempre as mais inexplicáveis, duradouras e cruéis da história humana. Paradoxalmente aquela que deveria dar conforto ao homem e ajudá-lo a alcançar a sabedoria necessária para entender a origem do desejo de vingança e aprender a domá-lo, nos inunda com exemplos da mais gratuita crueldade como receita para apaziguar o espírito.

Eu prefiro os versos escritos há 25 séculos pelo poeta grego Ésquilo: 

"Enquanto dormimos
a dor que não se dissipa 
cai gota a gota sobre nosso coração
até que, em meio ao nosso desespero
e contra nossa vontade
apenas pela graça divina
vem a sabedoria"  

Dentro da religião, no ápice de nosso sofrimento só nos cabe contar com uma última reflexão:

Pai, perdoai-os, porque, se eu puder, eu cubro de porrada.

domingo, 20 de setembro de 2009

Religiões se unem no Rio para pedir liberdade e tolerância

Rio de Janeiro, 20 de setembro (EFE) Milhares de pessoas se reuniram hoje na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, em uma caminhada contra a intolerância e pela liberdade religiosa que, em uma demonstração de integração, reuniu seguidores de diferentes credos. 

Católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos, budistas e hinduístas se juntaram na 2ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que também contou com a participação de muitos ciganos, além de seguidores do movimento Hare Krishna e de religiões de origem africana, como o candomblé e a umbanda.

"Ainda sofremos, como em todo o mundo. No Brasil, como a mistura é muito grande, há um pouco mais de tolerância, mas ainda há muito preconceito e discriminação", disse à Agência Efe o fundador e presidente da União Cigana do Brasil, Mio Vacite.

A mobilização percorreu a orla da praia de Copacabana ao som de tambores e cânticos africanos que deram um toque festivo à marcha. Capoeiristas também participaram do ato, junto com representantes de outros movimentos como os bahai, os Filhos de Gandhi e espíritas, entre outros.

Segundo os organizadores, delegações de países como Angola, Argentina, Congo, Nigéria, Paraguai e Uruguai também estiveram presentes na manifestação.

A caminhada foi convocada para defender a paz e a tolerância religiosa, e em repúdio a demonstrações de intolerância sofridas recentemente por praticantes de crenças como a umbanda.

Além disso, algumas organizações muçulmanas denunciaram o tratamento discriminatório que, segundo afirmam, sofrem em locais como postos de controle dos aeroportos.

Na manifestação, o ministro de Igualdade Racial, Edson Santos, tomou a palavra e ressaltou o trabalho que o Governo tem feito para assegurar a igualdade religiosa no país.

"Estamos criando o Programa Nacional de Proteção e Promoção das Religiões de Matriz Africana em nosso país", disse o ministro. (Fonte: EFE)