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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Bispo dz que estupro só é possível com o consentimento da mulher

Bíspo de Guarulhos, Luiz Gonzaga Bergonzini, diz que mulheres mentem ao dizer que foram estupradas.. Ele acusa que a mentira seria apenas para conseguir liberação da lei para pratica do aborto.

"Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima... É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil", comenta. O bispo ajeita os cabelos e o crucifixo. "Já vi muitos casos que não posso citar aqui. Tenho 52 anos de padre... Há os casos em que não é bem violência... [A mulher diz] 'Não queria, não queria, mas aconteceu...'", diz. "Então sabe o que eu fazia?" Nesse momento, o bispo pega a tampa da caneta da repórter e mostra como conversava com mulheres. "Eu falava: bota aqui", pedindo, em seguida, para a repórter encaixar o cilindro da caneta no orifício da tampa. O bispo começa a mexer a mão, evitando o encaixe. "Entendeu, né? Tem casos assim., do 'ah, não queria, não queria, mas acabei deixando'. O BO é para não facilitar o aborto", diz.

A posição do bíspo é um uma tentativa de dificultar o aborto nas cidades da grande São Paulo.

O bíspo Luiz Gonzaga é um claro exemplo da mistura de politica com religião, e usa de sua influência em fiéis para mudar votos e opiniões da massa. Como foi o caso de seu discurso contra a presidenta Dilma, em que ele fez "pregações" contra as intenções da candidata e espalhou folhetos por várias igrejas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Falha mais uma tentativa de comprovar a eficiência da acupuntura

Carlos Orsi
24/03/2011

Acho que é do Millôr Fernandes a observação de que qualquer afirmação, independentemente da validade, sempre tem uma chance mais do que razoável de ser levada a sério quando sai da boca de um velhinho chinês. Não sei se o Millôr tinha a chamada “medicina tradicional chinesa” em mente quando formulou o pensamento, mas alguns resultados recentes de estudos sobre acupuntura me trouxeram à lembrança a pérola do Mestre do Méier.

O trabalho mais recente, divulgado nesta quinta-feira, foi patrocinado pelo Instituto Karolisnka — onde ficam os caras que decidem o Nobel de Medicina — concluiu que acupuntura placebo funciona tão bem quanto acupuntura real no tratamento da náusea sentida por pacientes de câncer, submetidos a radioterapia.

O trabalho envolveu 277 pacientes. Desses, 215 foram distribuídos, aleatoriamente, entre um grupo que passou por acupuntura e outro que apenas teve agulhas falsas — cujas pontas se retraem, sem perfurar a pele — pressionadas contra o corpo.

Outros 62 pacientes receberam apenas os medicamentos normais contra náusea, sem acupuntura nenhuma.

(É importante notar que a acupuntura real foi efetivamente aplicada nos pontos do corpo que, segundo a tradição, ajudam a evitar naúsea; já a acupuntura placebo foi aplicada em pontos fajutos.)

A taxa de pacientes com náusea, nos grupos acupunturados — real e placebo — ficou em 37% e 38%, respectivamente, contra 63% dos que passaram pelo tratamento padrão. Os pesquisadores reconhecem que o fato de o terceiro grupo — os dos pacientes sem acupuntura nenhuma, seja real ou falsa — não ter sido formado de maneira aleatória pode ter comprometido essa parte da conclusão.

De qualquer forma, o principal fator envolvido parece ter sido expectativa: 81% dos pacientes que achavam que iam passar mal tiveram a profecia confirmada, contra 50% dos que estavam mais otimistas. Este trabalho saiu na PLoSONE.

O outro estudo é de 2008, e indicou — depois de um levantamento duplo-cego de 370 pacientes — que acupuntura falsa é bem melhor para ajudar mulheres a engravidar que a acupuntura real (taxas de sucesso de 55,1% e 43%, respectivamente, dados publicados no periódico Human Reproduction).

A conclusão proposta pelos autores (que desta vez eram chineses, não suecos), foi a de que a acupuntura placebo talvez não seja inerte — e não, como a lógica poderia sugerir, que ambas as modalidades não passam de placebos e que o poder da expectativa é o verdadeiro fator envolvido nos resultados atribuídos às duas intervenções.
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Nota do Editor: Este último parágrafo ilustra bem como fazer para adequar os resultados de um estudo às próprias crenças pessoais.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Astrologia não é ciência

Eu era gêmeos, mas dava tudo errado, aí eu mudei... (Domésticas, o Filme) 

A astrologia é mãe da astronomia. Até a Era Moderna eram praticamente indistinguíveis. Teve importante papel na formação das culturas, e sua influência é encontrada em todas as religiões antigas e em várias disciplinas através da história. A astrologia nasceu junto com a matemática e, por isso, talvez tenha assumido um caráter científico, o qual nunca teve.

A característica fundamental da ciência é basear-se na observação da natureza e na experimentação. Os efeitos das posições dos planetas e da Lua em qualquer pessoa na Terra nunca foram demonstrados em qualquer estudo sistemático. Nas últimas décadas vários cientistas testaram as previsões da astrologia e comprovaram que não há resultados.

Um teste duplo-cego da astrologia foi executado pelo físico Shawn Carlson, do Lawrence Berkeley Laboratory, Universidade da Califórnia. Grupos de voluntários forneceram informações para que uma organização astrológica bem estabelecida produzisse um horóscopo completo da pessoa, que também preenchia um questionário de personalidade completo, pré-estabelecido de comum acordo com os astrólogos.

A organização astrológica que calculava o horóscopo completo da pessoa, juntamente com 28 astrólogos profissionais que tinham aprovado o procedimento antecipadamente, selecionavam entre três questionários de personalidade aquele que correspondia a um horóscopo calculado. Como havia 3 questionários e um horóscopo, a chance de acerto aleatório é de 1/3 = 33%.

Os astrólogos tinham previsto antecipadamente que a taxa de acerto deveria ser maior do que 50%, mas, em 116 testes, a taxa de acerto foi de 34%, ou seja, a esperada para escolha ao acaso! Os resultados foram publicados no artigo A Double Blind Test of Astrology, S. Carlson, 1985, Nature, Vol. 318, p. 419.

Porque então, mais da metade das pessoa acredita em astrologia.?

A resposta recai sobre o processo de auto-engano a que se submetem as pessoas. Imagine que você consulte um astrólogo buscando acertar o resultado em um jogo com 10% de chance de acerto Se o astrólogo erra, qual sua sensação? Frustração com a astrologia? Não, frustração com o astrólogo, e logo você consulta outro, e outro, até que um acerta. Ora, não precisa ser estatístico para descobrir que, cedo ou tarde, ou em média na décima consulta, um astrólogo acerta.

Qual sua sensação agora? Total confiança no astrólogo e na astrologia. Todas as frustrações passadas são creditadas aos astrólogos e o sucesso casual presente a astrologia.

Por isso quem riu da frase a protagonista do filme, que tome cuidado, pois pode estar fazendo a mesma coisa.

sábado, 3 de outubro de 2009

Casal condenado por tratar bebê com homeopatia

Pais se recusaram a buscar ajuda de medicina tradicional durante 4 meses antes de o bebê morrer.

O casal Thomas e Manju Sam foi preso em Sydney, na Austrália, por ter deixado sua filha Gloria, de 9 meses e meio, morrer de septicemia e desnutrição, consequências de um severo caso de eczema. Thomas Sam, de 42 anos, e Manju Sam, de 37, se recusaram a buscar ajuda médica durante os quatro meses e meio em que a criança esteve doente, preferindo tratá-la com homeopatia.

O casal foi condenado por homicídio culposo. A pena combinada dos dois chega a um mínimo de 10 anos de prisão, sendo que o pai deve cumprir pelo menos seis anos e a mãe deve cumprir pelo menos quatro. Sam é médico homeopata e tratou a filha sozinho, até que ela desenvolveu uma úlcera no olho esquerdo e foi levada a um hospital, dois dias antes de morrer. 

O juiz Peter Johnson, da Suprema Corte de Nova Gales do Sul, disse que a bebê sofreu desnecessariamente por causa de uma condição que é tratável. Quando morreu, Gloria pesava apenas dois quilos a mais do que quando nasceu, e seu cabelo, que era preto, havia se tornado branco. Sua pele estava coberta de feridas e ela sofria de uma infecção. 

Na íntegra em O Estado de São Paulo

Esse é mais um caso onde um inocente morre vítima de crendices, desta vez sob a forma de pseudociência..

Não bastassem os Testemunhas de Jeová com sua recusa em aceitar transfusões de sangue, os cientologistas que classificam problemas mentais ou convulsões como cicatrização da alma evitando qualquer tratamento e os espíritas com suas cirurgias mediúnicas,  agora temos uma horda de pseudociências, chamadas de alternativas, como a medicina ortomolecular, homeopatia, iridologia, cromoterapia e mais uma centena de outras que inclue até urinoterapia, não poupando incautos, desesperados e o que é pior crianças indefesas. 

Procedimentos ligados a crenças que rejeitam a própria ciência não tem lugar na medicina responsável. São inúteis e não adicionam nada ao resultado, apenas às despesas.

Estima-se que a "medicina alternativa" movimente cerca de US$ 15 bilhões por ano.