quarta-feira, 7 de outubro de 2009

1 + 1 = 2

O Brasil é um país único. Um extraterrestre que visitasse nosso planeta, pousando sua nave neste país continental, por certo teria grandes dificuldades para compreender uma nação com tantos e cruéis contrastes. 

Por aqui convivem, lado a lado, o desenvolvimento da Suécia com a miséria do Gabão. Convivem, lado a lado, o país que exporta aviões a jato para as mais desenvolvidas potências, e o país do trabalho infantil, da subsistência, da miséria.

Paliativos à parte, afinal estamos cansados de assistencialismo, sabemos que só a educação pode reduzir o imenso abismo entre ricos e pobres verificado neste país. Seja no campo público, como no privado, um país é administrado por sua elite, aquilo que ele tem de melhor. Porém, essas elites tendem a se perpetuar gerando todas as mazelas que tão bem conhecemos. Aí entra o papel da educação. Só a educação pode formar novas elites, mais preparadas e mais aptas para aproveitar e oferecer novas oportunidades. A educação é o mais efetivo, senão o único, instrumento de mobilidade social. É o que a história recente ensina.

Se recursos suficientes forem aplicados corretamente, educar um país toma duas gerações, algo de 30 a 50 anos. Um tempo inadmissível. Um tempo que não temos. Mas é o tempo que vamos levar. Foi esse o tempo que levou a Coreia. Vai ser esse o tempo que levará a China.

Analisar as duas últimas postagens dentro deste contexto leva a uma conclusão simples e aterradora. Ninguém liga para a presente situação da educação no país, tampouco para seu papel em nosso futuro. Enquanto todos os esforços deveriam estar concentrados numa saga obstinada de trazer a excelência à educação do país, o que vemos são preocupações difusas de usar a escola como simples ferramenta política.

Pergunto, é função da escola pública empenhar recursos materiais, financeiros e humanos, comprometendo a situação já calamitosa do ensino, para ministrar aulas de religião que de prático servem apenas para selar o apoio da Igreja ao governo?

A resposta não é tão difícil.

Brasil é penúltimo em desempenho escolar

A UNESCO e a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgaram a pesquisa denominada Literacy Skills for the World of Tomorrow, colocando o Brasil como o penúltimo, dentre 41 países, no quesito desempenho escolar.

A pesquisa enfocou os estudantes na faixa etária de 15 anos. Computados os resultados, nossos estudantes ficaram com o penúltimo desempenho nas áreas de matemática e ciências, e em 37º em leitura. Quando se apurou a média do conjunto das três disciplinas, o Brasil ficou em penúltimo lugar, ultrapassando apenas o Peru.

Em matemática e em ciências, os países que obtiveram as melhores posições foram Hong Kong e Coreia do Sul respectivamente. Em leitura, a Finlândia ocupou o primeiro lugar. 

É importante destacar que há cerca de 40 anos, o Brasil figurava numa posição similar a da Coreia, com níveis de desenvolvimento econômico e social semelhantes. Mas graças às mazelas de nossas elites dirigentes, fomos ficando para trás, cada vez mais para trás, bem mais para trás. Ao ponto em que, enquanto a Coreia ultrapassa importantes países como Japão, Reino Unido, Estados Unidos, França, Suíça e Alemanha; o Brasil consegue ser superado nesta corrida até mesmo pelos vizinhos de continente: México, Chile e Argentina.

(A pesquisa foi realizada em 2007)

Senado aprova acordo com Vaticano que consolida ensino religioso no Brasil

Tratado concede imunidade tributária à Igreja e reforça ensino religioso

O plenário do Senado aprovou há pouco a ratificação do acordo que cria o novo Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil. Assinado em novembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o papa Bento 16, o tratado reconhece, dentre outras coisas, “a importância do ensino religioso” no país.

O texto de 20 artigos consolida condutas e procedimentos já adotados pela Igreja Católica no país, como o casamento religioso e a imunidade tributária de paróquias, dioceses e arquidioceses, concedendo segurança jurídica a esses atos ou situações.
 

Na íntegra: Última Instância

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Budismo

As única coisa que posso dizer do budismo é que é a única religião ateia (strictu sensu).

Apesar do budismo não negar a existência de seres sobrenaturais (de fato, há muitas referências nas escrituras budistas), ele não confere nenhum poder especial de criação, salvação ou julgamento a esses seres, não compartilhando da noção de Deus comum à maioria das religiões.

Assim talvez isso explique porque uma camada mais educada (leia-se os rich & famous de Hollywood) acabe optando pelo budismo. É uma forma de ateísmo light. São os que já não conseguem acreditar em um deus, mas também não tem coragem de assumir seu ateísmo.

A droga do budismo é a visão que tem do mundo demonstrada nas 4 verdades:
- A vida é sofrimento.
- O desejo é a origem do sofrimento.
- O fim do desejo leva ao fim do sofrimento
- A prática do nobre caminho leva ao fim do desejo

Bem, claro que essa bobagem toda não se aplica a Brad Pitt. Eu queria ver alguém explicar pra ele que a vida é sofrimento.

E isso piora quando entra a reencarnação, que no budismo acontece sem uma alma passando de corpo para corpo. Apenas cada homem colhe os frutos de suas vidas passadas.

Nietzsche foi muito feliz ao mostrar que o budismo como cristianismo formam "as duas religiões da decadência, da debilidade da vida; do envelhecimento da civilização e da renúncia. O desejo de 'não querer' ou o desejo que quer o nada", pregando a anulação do ser humano no que ele tem de melhor, sua capacidade de ser humano, racional, passional.

No final das contas "como acreditar que um gordão de 300 quilos pode ensinar auto-controle para alguém?"

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Lavagem cerebral, quando começa?

Todos nós temos a clara noção que, enquanto somos crianças, estamos livres da pressão religiosa que só começaria por volta dos 7 ou 8 anos com a catequese.
 
Será?

 
Então porque quando chegamos nessa idade aceitamos tão facilmente a ideia do sobrenatural? Será que não fomos preparados e bem recompensados desde pequenos para acreditar?

 
A resposta pode estar em mais duas perguntas bem simples:

 
Que mitos sobrenaturais são repetidamente ensinados às crianças pequenas para mais tarde serem substituídos pelo nascimento e ressurreição do salvador?

 
E com que idade as crianças deixam de acreditar nesses mitos?

 
Até os sete anos as crianças têm dificuldade em entender os conceitos de nascimento e morte, ainda mais um nascimento a partir de uma virgem (aaaargh) e uma morte seguida de ressurreição (aaargh). Papai noel e coelho da páscoa nada mais são que duas estratégias muito eficientes para introduzir na cabeça das crianças ritos e cultos sobrenaturais que ela não entenderia naturalmente, mas que aceita através de recompensas.
Porque crianças entendem presentes e chocolate.

 
Desde pequenas as crianças passam a acreditar que nessas datas seres mágicos trazem coisas boas e gostosas. Elas são induzidas a aceitar o sobrenatural. Os pais repetem o experimento de Pavlov com seus filhos. Se você acreditar no natal  ganha uma bicicleta, se acreditar na páscoa ganha um chocolate...

 
O mais interessante é que as crianças deixam de acreditar em papai noel e coelho da páscoa justamente na idade que começam a tomar contato com a religião. É aos 7 ou 8 anos que as crianças passam a receber treinamento religioso formal.

 
As ideias religiosas continuam absurdas, mas aí a cabeça delas já esta prontinha. É só trocar as figuras. Papai noel e coelho da páscoa passam a ser lendas, mas a natividade e ressurreição, não.

 
Talvez, o coelhinho da páscoa e o bom velhinho não sejam tão inocentes assim. Talvez estejam prestando um grande serviço à religião. Estariam cumprindo seu papel como formas simples e corruptas de incutir nas crianças os mistérios religiosos.

sábado, 3 de outubro de 2009

O que é ser ateu

O termo "ateu" é formado pelo prefixo grego a-, significando "ausência" e o radical grego theós, significando "deus". O significado literal do termo é "sem deus".

Essa análise simples nos permite derivar a definição que 'ateu é uma pessoa que consegue aceitar e compreender a realidade sem a inclusão de um ser sobrenatural'.

Em termos práticos, o ateu é alguém que recusa qualquer dogma. Ele se recusa a acreditar em algo por meio da fé, essencialmente e assumidamente irracional.

Lógico que essa definição é ampla e abrange vários graus de ateísmo, desde as pessoas simplesmente desconhecem o conceito de deus, por exemplo, todas as crianças, até as pessoas que julgam a inexistência de deus pela sua impossibilidade física ou lógica.

Sem palavras...


Casal condenado por tratar bebê com homeopatia

Pais se recusaram a buscar ajuda de medicina tradicional durante 4 meses antes de o bebê morrer.

O casal Thomas e Manju Sam foi preso em Sydney, na Austrália, por ter deixado sua filha Gloria, de 9 meses e meio, morrer de septicemia e desnutrição, consequências de um severo caso de eczema. Thomas Sam, de 42 anos, e Manju Sam, de 37, se recusaram a buscar ajuda médica durante os quatro meses e meio em que a criança esteve doente, preferindo tratá-la com homeopatia.

O casal foi condenado por homicídio culposo. A pena combinada dos dois chega a um mínimo de 10 anos de prisão, sendo que o pai deve cumprir pelo menos seis anos e a mãe deve cumprir pelo menos quatro. Sam é médico homeopata e tratou a filha sozinho, até que ela desenvolveu uma úlcera no olho esquerdo e foi levada a um hospital, dois dias antes de morrer. 

O juiz Peter Johnson, da Suprema Corte de Nova Gales do Sul, disse que a bebê sofreu desnecessariamente por causa de uma condição que é tratável. Quando morreu, Gloria pesava apenas dois quilos a mais do que quando nasceu, e seu cabelo, que era preto, havia se tornado branco. Sua pele estava coberta de feridas e ela sofria de uma infecção. 

Na íntegra em O Estado de São Paulo

Esse é mais um caso onde um inocente morre vítima de crendices, desta vez sob a forma de pseudociência..

Não bastassem os Testemunhas de Jeová com sua recusa em aceitar transfusões de sangue, os cientologistas que classificam problemas mentais ou convulsões como cicatrização da alma evitando qualquer tratamento e os espíritas com suas cirurgias mediúnicas,  agora temos uma horda de pseudociências, chamadas de alternativas, como a medicina ortomolecular, homeopatia, iridologia, cromoterapia e mais uma centena de outras que inclue até urinoterapia, não poupando incautos, desesperados e o que é pior crianças indefesas. 

Procedimentos ligados a crenças que rejeitam a própria ciência não tem lugar na medicina responsável. São inúteis e não adicionam nada ao resultado, apenas às despesas.

Estima-se que a "medicina alternativa" movimente cerca de US$ 15 bilhões por ano.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dance Monkey, Dance

Um grande video/poema escrito/produzido por Ernest Cline (www.ernestcline.com). É um curta que ilustra e tenta discutir nossa condição humana, sob uma ótica bem-humorada.


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O elefante

Você já imaginou como é possível prender um elefante adulto a uma estaca que foi enterrada com poucas marteladas?

É uma questão intrigante, mas de resposta bastante simples. Desde que nasce o elefante é preso por uma corrente a uma estaca. Como ainda é pequeno não tem força para arrancá-la. A argola que fixa a corrente à pata do elefante tem esporas por dentro. Toda vez que ele tenta puxar a corrente as esporas fincam em sua pele ainda macia. A dor é grande e ele desiste.

Os anos passam. Ele se torna o animal mais forte sobre a terra. Sua pele agora é tão resistente que é impenetrável às esporas. Ele seria capaz de arrancar a estaca sem o menor esforço.
Mas, toda vez que começa a esticar a corrente, sente a argola, sente as esporas, os anos de dor, e desiste...

O elefante estará preso por toda sua vida...